5 de abril de 2012

PALESTRA MARIA JACINTHA NA ACADEMIA NITEROIENSE DE LETRAS

PALESTRA SOBRE A GRANDE MESTRE  DO
TEATRO BRASILEIRO
MARIA JACINTHA TROVÃO DA COSTA CAMPOS
 NA ACADEMIA NITEROIENSE DE LETRAS.





A coisa mais linda que pode acontecer é quando a gente faz um trabalho cultural na vida e esse trabalho nunca seja esquecido, e fica para sempre abotoado nas memórias das pessoas, isso é grandioso. Tudo de bom que se fez durante uma vida inteira de batalhas, experiências, aprendizados e ensinamentos, vê-se ultrapassar as fronteiras. Que todo esforço para divulgar e expandir a cultura de uma cidade não foi em vão.   Foram essas as expressões que categoricamente evidenciam a vida de uma das personalidades mais marcantes na sociedade fluminense e hoje foi reverenciada na ANL   pela  grande escritora biográfica  Marise Rodrigues,  essa grande homenagem foi prestada a mestra do teatro brasileiro Maria Jacintha Trovão da Costa Campos ou  simplesmente Maria Jacintha. Dramaturga que muitos fluminenses e outros mais, tiveram o privilégio de conhecer e viver junto a história dessa brilhante e encantadora escritora e dramaturga em que suas peças brilharam por muito tempo nos palcos teatrais.

Maria Jacintha - ressonâncias e memórias, este foi o  título do livro de Marise Rodrigues e da grandiosa conferência que abriu o ciclo de palestra do mês de abril  na Academia Niteroiense de Letras, aconteceu dia 04 às 17 horas. A revista Focus esteve presente ao evento e trouxe na íntegra as imagens da grande conferência. Confira.

Sede da Academia Niteroiense de Letras.
Bico-de-pena de Miguel Coelho.


Dia 4 de abril de 2012
Ciclo de Palestras


“Ressonâncias e memórias de Maria Jacintha”

Palestrante: Marise Rodrigues

17h / gratuito

Rua Visconde do Uruguai, 456 – Centro

Niterói-RJ




Maria Jacintha Trovão da Costa Campos  nasceu em Cantagalo, Estado do Rio, 27 de setembro de 1906  e faleceu em Niterói-RJ no dia 20 de dezembro de 1994, também conhecida como Maria Jacintha, foi uma ensaísta, tradutora, autora, crítica e diretora teatral brasileira.
Seu primeiro texto teatral, O gosto da vida, foi montado pela Companhia Jaime Costa, em 1937. As peças Conflito, Já é manhã no mar e Convite à vida foram encenadas por Dulcina de  Moraes. A Doutora Magda foi encenada pela Companhia Iracema de Alencar. Em Já é Manhã no Mar estiveram em cena Ribeiro Fortes, Jardel Filho, Dulcina de Moraes e Odilon Azevedo.
Convite à Vida tinha um pendor paficista e foi encenada no momento da partida da FEB (Força Expedicionária Brasileira) rumo à Itália. A última peça de Maria Jacintha, Um não sei quê que nasce não sei onde (1968), foi inspirada nas situações dramáticas do país sob a ditadura instaurada em 1964. Maria Jacintha, durante esse período da história brasileira, chegou a ser presa durante aquele regime militar Maria Jacintha traduziu escritores russos, como Tchekhov, cuja vida foi anterior à revolução de 1917 (Tchekhov morreu em 1904). Sua peça Intermezzo da imortal esperança foi publicada pelo Serviço Nacional de Teatro (MEC), Rio de Janeiro, em 1973.
Tendo recebido o apoio do teatrólogo Benjamin Lima , fundador e diretor do CPT (Curso Prático de Teatro, do MEC), por muitos anos, Maria Jacintha foi a diretora artística do TEB (Teatro do Estudante do Brasil), tendo contribuído para a atualização do repertório do grupo. Organizou as temporadas de Arte de Dulcina de Morais.

Participou do período de modernização, na primeira metade do século XX, do teatro brasileiro, tendo sido uma das fundadoras do Teatro de Arte do Rio de Janeiro e do Teatro Fluminense de Arte. Conhecida por seu vasto conhecimento histórico e literário.
Notabilizou-se pelo apoio que dava aos novos talentosos atores, entre eles, por exemplo, Nicette Bruno, Fernanda Montenegro, Kléber Machado, Mauro Mendonça e outros. Segundo Maria Jacintha, uma erudita da tradição intelectual dos escritores brasileiros da primeira metade do século XX, - à qual o termo renovação não era estranho -, "teatro", fundamentalmente, "é texto e interpretação".

Desde que sofreu um acidente automobilístico, Maria Jacintha usava uma bengala, que dela se tornou amiga inseparável, mas já se deslocava em cadeira rodas quando, perto do fim de sua vida, no Teatro Municipal de Niterói, foi homenageada pelo conjunto de sua obra e pela coerência e firmeza de suas ideias e práticas como educadora, dramaturga, crítica e tradutora. Nessa ocasião, com o local lotado, Nicette Bruno, já internacionalmente célebre como atriz de telenovelas, expressou, entre depoimentos outros de amigos e estudiosos da obra de Maria Jacintha, a gratidão pelo auxílio que Maria Jacintha lhe deu no início da carreira. Quando Arlete Pinheiro Esteves da Silva - a Fernanda Montenegro - tornou-se a primeira atriz latina americana a receber uma indicação, pela Academia de Hollywood, para o Oscar de melhor atriz, Maria Jacintha já havia falecido.

Maria Jacintha, traduziu da língua francesa peças dos seguinte autores: Jean Girandoux, Jean Anouilh, Paul Claudel, Albert Camus etc.

Sobre Maria Jacintha escreveu Mário de Andrade: "(...) autora que faz questão de manifestar durante todo o texto uma imparcialidade absoluta, permitindo que as personagens exponham seus pontos de vista e se revelem".

A escritora Marise Rodrigues defendeu uma tese de doutorado concernente (RODRIGUES, 2006), No hall do teatro da UFF tem uma placa que a homenageia. No teatro onde funcionou o antigo Cassino da Praia de Icaraí, são levadas peças teatrais, podem ser ouvidos concertos música clássica ou popular e, também servindo como cinema ali é exibido filmes de excelência estética ao público niteroiense e carioca que para lá se desloca em busca de arte e sensibilidade.
OUTROS DADOS:

Formação (Niterói-RJ), 1923:
Escola Normal de Niterói;
Radioteatro (Rio de Janeiro-RJ, peças apresentadas pela Rádio Nacional)

A Confidente;
Uma História para uma Canção;

Travessia;

O Vampiro;
História de Todos os Tempo.



PRINCIPAIS TRABALHOS COMO TRADUTORA:


As Três Irmãs, de Tchecov;
Anfitrião 38, de Jean Giraudoux;

Jezebel, de Jean Anouilh;
O Sapato de Cetim, de Paul Claudel;

Estado de Sítio, de Albert Camus;


HOMENAGENS/PRÊMIOS:



1938 - Rio de Janeiro RJ - 1º Prêmio de Teatro da Academia Brasileira de Letras, ABL - por sua peça O Gosto da Vida;

1953 - Rio de Janeiro RJ - Medalha do Serviço Nacional de Teatro, SNT - melhor tradução por As Três Irmãs, de Anton Tchekhov.


PEÇAS DE TEATRO


Conflito. Porto Alegre: Edições Meridiano, 1942. (Coleção Tucano)
Já é manhã no mar. Petrópolis: Vozes, 1968. (Coleção Diálogo da Ribalta)
Um não sei quê que nasce não sei onde. Rio de Janeiro: Fon-Fon e Seleta, 1968. (Teatro Brasileiro)
Convite à vida. Rio de Janeiro: Fon-Fon e Seleta, 1969. (Teatro Brasileiro)
Intermezzo da imortal esperança. Rio de Janeiro: Serviço Nacional de Teatro, MEC, 1973.


Em Niterói, o reconhecimento pela sua contribuição ao desenvolvimento cultural da cidade pode ser verificado nos teatros da UFF, que lhe rendeu homenagem em placa afixada em seu salão principal.
Sua carreira como teatróloga começou quase por acaso. Disposta a escrever um romance, verificou que seu estilo era teatral, recheado de diálogos.
Tendo Benjamin Lima como seu primeiro grande incentivador, em 1940, sua primeira peça, intitulada "O Gosto da Vida", era encenada no Teatro Rival pela Companhia Jaime Costa, garantindo à Jacintha lugar privilegiado nas colunas de crônica teatral de todos os jornais do país.
Apesar de o sucesso ter sido imediato, o rigor da censura do Estado Novo também assim o foi. Perseguida, assim, por membros do clero e da Ação Integralista Nacional, viu sua temporada suspensa pelo Ministério da Educação (poucos anos mais tarde tornado Ministério de Educação e Cultura), que na condição de patrocinador da turnê do grupo, suspendeu a temporada.
No entanto, foi driblando a censura que, do Norte, partiria a Companhia Iracema de Alencar, responsável por encenar outra peça da autora: "Doutora Magda". Segundo Maria Jacintha, “esta sim é que deveria ser censurada pelo DIP e não foi”. Durante toda a temporada do espetáculo, a personagem principal transformou-se em símbolo da juventude brasileira: a doutora Magda passou a ditar moda e todas as jovens queriam vestir-se e se comportar de modo irreverente como ela.
Logo a seguir vieram diversos sucessos de público e crítica, como "Convite à Vida" e "Conflito", encenados pela Companhia Dulcina-Odilon.

Em 1948, cansada do medo que as companhias sentiam de encenar suas peças por causa de censura, Maria Jacintha montou sua própria companhia: o Teatro de Arte do Rio de Janeiro, que com pouco tempo de existência passou a ser considerado "a maior realização acontecida em palcos cariocas, nos últimos 40 anos, quer por companhia nacional, quer por companhia estrangeira".
Artistas como Nicette Bruno, Fernanda Montenegro, Mauro Mendonça, Beatriz Beatriz Segall, Mauro Mendonça, Isaac Bardavid, Felipe Wagner e Cacilda Becker despontaram nos palcos do TARJ, e seus trabalhos motivaram o grande reconhecimento de que gozaria a companhia ao longo dos anos.

Mesmo assim, Maria Jacintha negava-se a aceitar o título de "diretora reveladora de novos talentos" que lhe conferiam. Para ela, lançar artistas era uma espécie de conjunção astral. "O povo precisa do espaço, e nós, que temos o espaço, precisamos dele", revelava. O talento, segundo a escritora, era o ingrediente único e imprescindível para um artista fazer sucesso, e “nós não damos talento a ninguém”, dizia. "Dias Felizes", de Claude Puget, e "Alegres Canções na Montanha", de Giullian Michair, eram as peças favoritas da escritora para lançar novos elencos. Nelas, a juventude era o tema central, pois os conflitos reinantes atravessavam os tem¬pos. Aos olhos de Maria Jacintha, esse era o motivo que tornava essas peças eternas e, portanto, adequadas ao estreante. Em suas palavras, “É um engano pensar que as peças clássicas é que são as ideais para formar jovens talentos. O mais difícil é imitar nossas próprias verdades”.

Detentora de vários prêmios, inclusive a primeira colocação no Concurso de Peças Teatrais promovido pela Academia Brasileira de Letras, seu grande sonho era tornar o teatro nacional tão grandioso como antes do Golpe de 1964. Para ela, os jovens não haviam tido o direito de assistir aos grandes espetáculos que visitaram o Brasil em décadas passadas e, por isso, teriam perdido o senso crítico. Nesse sentido, questionava: “Como é que eles vão comparar o que é bom e o que é ruim e, a partir daí, criarem?”.
Embora estivesse ligada às atividades teatrais do Rio de Janeiro, Maria Jacintha sempre desejou que Niterói, cidade onde vivia, tivesse um teatro próprio, que denominou de Teatro Estável de Niterói. Segundo plano apresentado aos Conselhos Municipal de Cultura e à Fundação de Atividades Culturais de Niterói (FAC), o Teatro Estável de Niterói passaria a fazer parte das atividades culturais da cidade no sentido de dar à comunidade niteroiense mais uma área de cultura e diversão de alto nível entre as muitas que vinham sendo desenvolvidas. E assim aconteceu: no dia 6 de dezembro de 1978, a apresentação da peça Anfitrião 38, de Jean Giraudaux, marcava sua estreia.

Mas, apesar dos esforços da dramaturga, o Teatro Estável de Niterói não logrou vida longa. Por motivos alheios à sua vontade, o sonho de um teatro próprio de Niterói não iria muito longe, como descrito pela própria dramaturga: “Sempre optei por plantar onde não há. E além disso, sou fluminense, de nascimento e de raízes, e confesso certa humilhação quando vejo que todas as capitais e grandes cidades do Brasil e, mesmo, pequenas cidades, têm seu teatro próprio (...). Na atuação de toda a minha vida literária e artística, no Rio de Janeiro, sempre sonhei em poder, um dia, dar um bom teatro a Niterói, aqui sediado, com sua população vendo teatro, freqüentando teatro, gostando de ver teatro e incorporando-o ao cotidiano de sua vida. Não mais o teatro episódico, em termos de festival, vindo de outras cidades...”

DIRETORA

“A mim, sempre pareceu muito pretensioso e, sobretudo, muito empresarial, faturar-se em cima do rendimento que o jovem artista nos dá, tirado de seu próprio barro a moldar. Há uma troca, o diretor recebe para atirar o dirigido à grande fogueira, que tanto pode queimar, como iluminar. Felizmen¬te, os jovens vindos a meu encontro não se queimaram: empu¬nharam suas tochas, clarearam o próprio caminho. Minha ale¬gria foi poder vê-los em sua hora de Jordão e ter podido pas¬sar-lhes a certeza da beleza de seu destino; minha glória, a de lhes ter levado a crença em sua mensagem.”
Em Niterói, no final dos anos 70, Maria Jacintha lança o ator Ricardo Sanfer. Sobre ele, ela declara numa entrevista ao Jornal Lig de 11 de janeiro de 1987: “Se houvesse em mim delírios messiânicos, eu diria que Ricardo Sanfer, a quem coube o Troféu de Melhor Ator de 1986, é meu discípulo amado, pela gratificação que recebo dele, a cada uma de suas incursões no palco.”

Frases/fragmentos:




A dramaturgia de autoria feminina vem cada vez mais adquirindo visibilidade entre os estudos acadêmicos de vertente revisionista e em publicações da literatura teatral brasileira. Baseados na tendência arqueológica de recuperação da história silenciada da produção literária feminina brasileira, tais estudos revelam que as dramaturgas continuam marginalizadas, invisíveis em sua grande parcela, necessitando, em muitos casos, que as descubramos e que as coloquemos em cena novamente. Nesse sentido, pesquisa recente traz à cena a obra de Maria Jacintha que, entre outras dramaturgas, dá continuidade à dramaturgia de autoria feminina escrita no Brasil. Além de se destacar como dramaturga,
[...] quem desconhece a obra de Maria Jacinta, pouca coisa – ou nada – sabe da renovação do teatro brasileiro. diz: Luiza B. Leite em A mulher no teatro brasileiro, 1965


Sequencial de fotos do evento

Márcia Pessanha - Presidente da ANL,
aqui expondo uma homenagem sobre Maria Jacintha no livro
PASSEIO DAS LETRAS NA TABA DE ARARIBÓIA
"A literatura em Niterói no século XX"
de Wanderlino Teixeira Leite Netto.

Marcia Pessanha - Pres. ANL,
Dr. Loretti - Vice-Pres. da ANL
Maria Jacintha Melo prima de Maria Jacintha
e Lou Pacheco

Marise Rodrigues
aqui conduzindo a conferência

Marise Rodrigues ficou emocionada quando falou
de Maria Jacintha, e Márcia Pessanha

Maria Jacintha Sauerbronn Mello
prima de Maria Jacintha
falou sobre a homegeada

Marise Rodrigues
expondo o livro Teatro Brasileiro  de maria Jacintha
Vera Lúcia Magalhães
declamou vários poemas de Maria Jacintha
Beatriz Chacon - Escritora
também fez parte na conferência
interpretou vários textos de
Maria Jacintha



Gilson Rangel Rolim- escritor
também falou muito bem sobre Maria Jacintha



Áurea Magalhães
irmã de Vera Lúcia Magalhães
veio da cidade Campos-RJ para assistir a palestra

Lou Pacheco - Jornalista

Márcia Pessanha
expondo o livro
MARIA JACINTHA- ressonâncias e memórias
de Marise Rodrigues



                              Marci Rodrigues Innecco
                       e Maria Jacintha Sauerbronn de Mello

Vera Magalhães e Bruno Pessanha - escritor

Bia Chacon e Vera Magalhães

Marise Rodrigues
aqui autografando livros para os presentes

A escritora Edel Costa aguardando o autográfo

Gilson Rolim, Edel e Marise Rodrigues

 
O Professor Ricardo Bigi,
professor e especialista em dramaturgia,
também esteve presente ao evento.

Marise Rodrigues autografando livros
para Lou Pacheco e Wanderlino Teixeira Netto



Ricardo e Marise Rodrigues

Marcia Pessanha e Dr. Loretti
aguardando os autográfos da autora



O escritor Luiz Calheiros
aguardando o autográfo do livro de Marise Rodrigues


Alberto Araújo e Maria Jacintha S. de Mello



                                                                                   Foto: Aldo Pessanha


                 
Assista ao vídeo falando sobre Maria Jacintha...
                         
Alberto Araújo - mediador do FOCUS



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2 comentários:

  1. PAULO ROBERTO CECCHETTI5 de abril de 2012 19:11

    Valeu, Alberto! Mais uma vez, parabéns!!! Att

    PRC

    ResponderExcluir
  2. GILSON RANGEL ROLIM - ESCRITOR5 de abril de 2012 23:03

    Alberto,

    cumprimentos pela boa reportagem sobre Maria Jacintha na ANL.

    Abç. Gilson Rolim

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